PREPARAR.. APONTAR.. VIAJAR!

Comprar pacote é mais caro justamente por isso, você não tem que fazer absolutamente nada, a não ser pagar! Em ano final de pós-graduação, com uma pretensa grande viagem e muita preparação física, ta difícil ter tempo pra respirar. Mas tudo isso nada mais é que construir uma base sólida pro futuro. Fiquei tanto tempo longe de fazer boas e grandes trilhas que realmente, parece que estou começando do zero de novo.

Tenho várias viagens que quero fazer, principalmente solo, esse ano, e como dependo de tempo bom, preciso deixar cartas na manga pro caso de algum local não estar com previsão boa e eu ter que apelar pra plano B ou C. Portanto, tenho estudado constantemente os locais pra onde quero ir, os tracklogs, as trilhas no Google Earth, as logísticas, os custos, etc. Dá trabalho! Vou detalhar aqui 2 nas quais eu tenho trabalhado com mais afinco.
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 TRIP #1 – UM PICO AÍ…

Pesquisando por aí locais mais próximos de SP e que se encaixem no perfil que eu preciso de treino – ganhar bastante altitude em apenas um dia, de preferência num lugar já alto – numa serra próximo à SP. Além disso, pretendo fazer uma travessia por esse local em breve, então vai ser legal já ter noção da intensidade da trilha. E também, pode ser sem noção, e vou ter que ver depois que for lá, mas seria interessante fazer uma simulação de ganho de altitude (4.000m, da viagem número #2), e subir e descer a pedra em 1 dia, durante 4 dias seguidos. Vamos ver…
A idéia é treinar um fim de semana – sair de SP na sexta de noite, começar a caminhada no sábado cedo, e voltar no domingo. Logística meio complicada, mas imagino que vencida uma vez, essa burocracia rodoviária seja mais facilmente transponível no futuro, até porque o local me parece o mais ideal para os treinamentos, até que a viagem ocorra.
Portanto, já dei início à pesquisa de:
  • Transporte rodoviário SP-Local-SP
  • Traslado de Local para o início da trilha, ida e volta
  • Previsão do tempo (por enquanto está bastante boa)
  • Suprimentos de viagem (comida, equipamento, etc)
  • Tracklogs, marcação das cartas, estudo do terreno no Google Earth
  • Relatos, fotos, etc
  • Eventual compra de equipamento extra (cordim e mosquetões decentes para içamento de mochila)
  • Agora é torcer pro tempo ficar firme. De qualquer maneira, também faz parte do planejamento pensar num plano B e C, no caso de o tempo não colaborar. Treinar é preciso!

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  • TRIP #2 – TREINO, TREINO… PRA QUE TANTO TREINO?

  • Este ainda não é um post sobre preparação da viagem, é mais uma nota de organização pra mim mesmo. Depois de muitas voltas e indecisões, decidi investir na minha primeira grande montanha. Podem dizer que é fácil, que não precisa de nenhum conhecimento técnico, etc e tal. Mas se tem uma coisa que eu respeito, é montanha. E como já vi escrito por aí, “essa é a montanha mais subestimada do mundo”. A minha citação preferida sobre a ascensão desse pico é do John Krakauer:

…physically grueling but technically undemanding…

 

Obviamente que não vou subir sozinha, estou contratando um “pacote”, ou como alguns dizem “uma expedição comercial”, até porque tenho pouco tempo de férias e não posso chegar lá e correr atrás das coisas. Fora que, vamos combinar, não é um passeio no parque. Apesar de não técnico, o ganho é de 4.000m em apenas 5 dias (o que resulta numa média de 60% de sucesso, com mais de 90% das pessoas tendo algum sintoma de A.M.S. – Altitude Mountain Sickness não é legal, já tive uma vez, não gosto, mas já estou me preparando pra passar por isso de novo). Também pensando nisso, providenciei a ascensão de dois outros picos próximos, de altitude menor e dias mais curtos, pra ajudar na aclimatação.
Confesso que a parte psicológica já está pegando. Já estou com um pouco de medo, principalmente depois de ler relatos de como é o dia do ataque: dormir 4 horas pra acordar à meia noite, com sensação térmica de -30ºC, pra caminhar 6-7 horas até o pico, saindo de uma altitude de 4.600m, pra ganhar mais uns 1.000m e poucos, considerando que neste último acampamento a maioria das pessoas já apresenta sinais de A.M.S. MEDO!
Mas vamos à parte burocrática e de preparação local. Vou ter que investir em alguns equipamentos de altitude pra chegar lá. Nas próximas semanas faço o primeiro pagamento da trip, e após a confirmação, recebo a lista detalhada de equipamentos e compro a passagem. Mas já fui atrás da lista, e vou ter que comprar:
  • Um hard shell com boa impermeabilização (sonho de consumo seria uma Arcteryx, mas estou pensando numa Manaslu, até por ser nacional, acho bacana “apresentar” equipamento nacional de qualidade pra gringaiada lá fora)
  • Uma calça idem
  • Segundas peles (blusa e calça) de Polartec® ou similar (as que eu tenho não são tão térmicas assim)
  • balaclava
  • Luva impermeável e térmica
  • Mais uns 2 pares de meia técnica
  • Talvez uma mochila intermediária, de uns 40L
  • Um cantil pra frio/Camelbak®, que não congele
  • Liner pro sleeping (eles pedem sleeping pra -20ºC, o meu vai até -5ºC + o liner, eu chego lá)
  • Além disso preciso providenciar diversas vacinas e profilaxia pra malária de lá (um tipo bem mais forte do que tem aqui. MAIS MEDO!)
  • Já separei várias datas de treino em montanha, e agora tenho que encaixar um treino com meditação e talvez até yoga, pra controlar a ansiedade e treinar a concentração. É coisa pra caramba, mas tudo dando certo acho que mais pra frente estarei mais preparada pra outras coisas. Vejo esse carga de agora como semear uma preparação que será permanente. De novo, vamos ver né! Ainda tem 5 meses e tudo pode mudar (e se mudar que seja para melhor), mas torço pra que, de tudo que pode mudar esse ano, eu consiga pelo menos mudar de idade no topo de uma grande montanha.
  • E além de tudo isso, já estou estudando os roteiros dos próximos feriados. No life, no life. O legal é que hoje, 3 março, é a marca de exatos 5 meses para o embarque. 😀

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Written by Cissa

Fanatic alpinist, rock climber, and wannabe surfer. Sports and travel content writer and graphic designer in the meantime. Self sponsored, based out of a haul bag.

2 Comments

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Infinitos Lugares

Kilimanjaro né?

Pelo que li aqui, está bem empolgada e se preparando muito. Interessante essa parte que é uma das coisas legais de toda viagem, preparação da própria. Roteiros, sonhos, dicas, ansiedade, equipamentos, mais ansiedade, treinos, enfim. É a vida de se aventurar por ai.

Te desejo toda a sorte nessa trip e aproveite cada minuto por lá.

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Cissa Carvalho

Pois é, ainda mais que eu sou um poço de ansiedade! Mas pelo menos hoje em dia com Youtube e tudo mais facilita muito a preparação. Obrigada pelo comentário!

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