PICO PARANÁ NO FERIADÃO DE 1º DE MAIO

Todo mundo que faz trilha sabe que o feriado de 1º de maio deste ano – um feriadão de 4 dias – foi tenso e miado pra praticamente todo mundo por conta da chuvarada everywhere (menos no Nordeste). Xinguei muito São Pedro, que ficou com peninha e resolveu abrir o tempo num lugar onde eu tentava e não conseguir ir faz tempo, por conta de chuva: o belíssimo Pico Paraná (1,877 m). Como pode uma montanha tão baixinha ser tão imponente?

 

div-black

 

Pico Paraná: a mais alta da região sul
div-black

DIA 1

CORRERIA PRA SAIR DE SÃO PAULO

 

Acho que vale colocar o primeiro dia como sendo a saída de São Paulo. Minha ideia pro feriado era fazer Serra Fina. Ia desabar o mundo lá. Desisti. No começo da tarde do sábado o tempo virou e decidi arriscar um solo na Pedra da Mina, mesmo com 10mm de previsão de chuva. Comprei as passagens. Mais pro fim do sábado, o tempo virou de novo e agora a previsão era de 50mm! Enquanto isso fiquei de olho em todas as previsões, e a do PP estava em 0mm. Mas resolvi dormir (tava meio estressada) e decidir se ia ou não só no dia seguinte. Acordei no domingo com um convite pro PP que chegou de madrugada. Já é! Mas demoramos pacas pra sair, e passamos a viajem inteira na expectativa de não pegar trânsito pra conseguir entrar na Fazenda Pico Paraná. Chegamos em cima e conseguimos entrar, mas o pessoal lá é bem rigoroso, e se não chegar até as 22h, dorme pra fora.

div-black

DIA 2

FAZENDA PICO PARANÁ-CUME PICO PARANÁ

 

Friozinho agradável e tempo bem aberto – acordamos meio tarde pra variar, e saímos pra andar mais tarde ainda. Mas tudo bem, dessa vez não parecia que estávamos no Saara. A trilha do PP é só subida, com alguns poucos momentos planos. O bom é que os pedregulhos se alternam com trilha batida e algumas escalaminhadas, então tem uma boa variação. Pra variar tinha 2 lebres comigo que subiram correndo, mas dessa vez mandei todo mundo na frente e falei pra não me esperar pois eu ia no meu ritmo. Acabou que não fiquei tão pra trás assim, fui no ritmo parecido com o do pai do Henrique (que já tem 60 anos e fuma pacas mas manda muito bem) e de vez em quando encontrava o grupo. Depois de um pedaço de arbustos, entramos numa extensa área de mata da Serra do Mar, conhecida como Vale das Raízes, onde ficamos praticamente o tempo todo subindo e descendo raiz de árvore. E dá-lhe lama! Altamente recomendável ir de polaina pra não encher a calça de barro (até porque eu só tinha levado 1…)

Muita mata fechada e escalaminhada pra chegar no cume.

Quando esse trecho finalmente acaba, a vegetação volta a ser de arbustos, desta vez mais grossos, de mais ou menos 1,5m de altura. Aí já começam os famosos trechos de escalaminhada e vias ferratas, que são de dar medo, mas não sei porque desta vez eu tava super sussa. A partir daí é trilha e pedronas, até chegar no cume. Passamos bastante gente no caminho, apenas descendo, inclusive a banda cover dos Beatles. O cume do PP é pequeno e não comporta muita gente, e na subida algumas pessoas nos falaram que já tinha gente lá, mas arriscamos mesmo assim. O fato é que não tinha ninguém, nem na parte de pedra do cume, nem numa clareira mais pra trás, que fica mais protegida. Montamos acampamento, comemos e começamos rapidamente a congelar, já que a temperatura caiu muito rápido e às 19h o relógio do Marcelito já estava marcando 5 ºC. Mas isso era só o começo!

Dados da subida e temperatura às 21h42: 0 ºC!

 

div-black

DIA 3

DESCIDA DO CUME PICO PARANÁ

 

Noite gelada! Fiquei com dúvidas se meu sleeping pra -5 ºC ainda funciona. Acordamos com a luz do dia, achando que a temperatura ia estar “mais amena”, mas qual não foi a surpresa quando vimos que às 6 e pouco da matina estava fazendo -4 ºC! Gelo nas barracas! Frio da p***! Dedos congelando! Ninguém tinha levado roupa pra tanto frio assim. Nossa sorte é que não ventou nem choveu, senão ia piorar muito a situação.

Sombra do PP, gelo na barraca, e trilha que nos espera na crista.

 

Muito x-montanha de café da manhã e iniciamos a descida. Na descida sim, os trechos de escalaminhada dão mais medo, até porque tava tudo molhado e escorregadio. Mas no geral tudo bem tranquilo. Nada como andar pra passar o frio. Nessa volta perdi meu Coleman C3 e minha polaina arrebentou de vez. Chegamos na Fazenda PP onde rapidamente devoramos “uns pastel” e eu tomei uma geladíssima.

Desescalada á la Serra do Mar, e dados da descida.

 

É óbvio que não podia faltar perrengue automotivo, e menos de 50km depois que saímos da Fazenda PP, encontramos a estrada parada. Acionei minha irmã via sms e descobrimos que por conta de acidente a estrada estava bloqueada sem previsão de liberação. Da hora heim? Mas como eu sou pé quente, rolou milagre e em menos de 30 minutos começamos a andar de novo. Quem não arrisca não petisca né? Feriadão não foi perdido!

Admirando o sol nascendo pro Pico Paraná.
div-black

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

  • Tem muita água na trilha, menos no final, um pouco antes do cume, que tem que pegar uma trilhazinha bem chata pra chegar no último ponto de água.
  • No geral não achei a trilha difícil, ela é longa, e trabalhosa por conta do Vale das Raízes. As escalaminhadas são todas facilitadas pelos degraus e correntes, o que ajuda bastante.
  • Como foi em cima da hora e não sabia como ia ser o esquema de ida e volta, fui pesada demais. Mas tudo bem. “Treino”.
  • A trilha tava limpíssima. Acho que vi 1 pedaço de plástico só, e mais nada, e tinha bastante gente fazendo bate e volta de 1 dia, em ambos os dias. Mesmo a área de acampamento e estacionamento da Fazenda é muito limpa e organizada. Mérito dos proprietários.
  • Tanto o Climatempo quanto o CPTEC acertaram na previsão do tempo.
  • Dá pra fazer solo? Achei que sim. Talvez em alguns pontos próximos do cume tenha um pouco de dificuldade pra passar por algumas pedronas, mas sozinho a gente pensa diferente e sempre aparece uma solução.
  • O maciço do Marumbi (que se vê de longe) e o conjunto do Ibitiraquire (onde fica o PP), são imponentes e impressionantes formações rochosas. Apesar da pouca altitude, tem seu grau de dificuldade com um visual recompensador de tirar o fôlego.

div-black

Written by Cissa

Fanatic alpinist, rock climber, and wannabe surfer. Sports and travel content writer and graphic designer in the meantime. Self sponsored, based out of a haul bag.

1 Comment

gravatar
Sandro

O relato ficou muito bacana.
Trilha gostosa de fazer, com cume relativamente fácil de chegar e sua progressão foi muito boa.

Parabéns.

Reply

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.