A MONTANHA E O AMOR

Achei esse texto na Desnivel e achei muito bonitinho. Fiz uma tradução livre e compartilho aqui. O original está neste link, e a autoria é de Carles Gel.

 

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Conta uma lenda dos Pirineus que uma vez, um homem se apaixonou de tal maneira pelas montanhas, que largou tudo por elas, e dedicou seus dias à escalada dos mais altos cumes, aqueles que alcançavam a visão seus olhos, e outras ainda mais distantes e complicadas.

Aquele alpinista incansável buscou montanhas por todo o mundo. As contemplou desde as planícies, as fotografou, escreveu sobre elas e finalmente, fascinado por aquelas fortalezas, empreendeu as subidas – seja a pé ou em esquis – de muitas daquelas catedrais de rocha, neve e gelo. Pouco se importava se era primavera, ou o verão ou inverno mais cruel, pois aquele homem, pacientemente e se dedicando a vários anos havia aprendido as mais diversas técnicas de escalada e esqui, para assim, poder superar as dificuldades e obstáculos que a montanha lhe apresentava a cada instante.

Com o passar dos anos a montanha lhe presenteou com um tesouro inestimável: tornar-se guia e viver seus sonhos de criança. Divertiu-se muito mostrando a seus clientes seus cantos preferidos, suas montanhas mais bonitas, seus segredos… os desejos escondidos em seu coração. As montanhas lhe presentearam a amizade nos vales mais profundos. Conheceu gente maravilhosa, pessoas que deram tudo de si e uma amizade sem fim. Conheceu o amor… seduziu e se deixou seduzir. Houve um primeiro amor… aquele que uma vez perdido é possível de se esquecer… por ser assim tão doce…

Irremediavelmente, as montanhas lhe endureceram e seu caráter de sobrevivente se tornou mais forte. Porém, seu interior guardava um coração romântico e terno, com tanto amor e carinho, que por alguma razão ele só doaria a uma mulher que realmente merecesse, se é que iria algum dia encontrá-la.

O compromisso fazia parte desse alpinista extremo, nascido para as montanhas e também para os grandes desertos de gelo e neve. Ele tinha consciência se que o primeiro passo era sempre o mais difícil e doído: ficar longe de sua gente, de sua casa… ausentar-se para explorar caminhos que ainda não existem e montanhas sempre cobertas pela neve e em estado selvagem.

Escalar sozinho… viajar sozinho… compromisso total, sempre trazendo o mínimo, e nunca sobrando nada e muitas vezes faltando. Aquele homem criou-se extremo, conheceu seus limites e divertiu-se muito, mas também chorou e se esvaziou completamente. Sua grande virtude era, no entanto, uma grande capacidade de sofrimento e uma amor inesgotável pelas montanhas, que o fazia se recuperar rapidamente, fortalecer seus instintos, esquecer as decepções, encontrar-se com seus amigos, e aproveitar um sorriso encontrado na aresta de uma montanha.

Apaixonou-se por alguém que conheceu quando a primavera morria e as montanhas ainda eram brancas. Aquele tesouro chegado de um vale aos pés das montanhas era seguramente o amor que estivera esperando por toda sua vida. Uma mulher de longos cabelos negros varridos pelos ventos do norte e olhos sempre brilhantes, tão apaixonada quanto ele pelas montanhas, pela natureza.

O guia se abraçou àquela estrela cheia de energia, de amor… de paixão pela vida, uma esquiadora e escaladora tão forte quanto as maiores catedrais da Terra. E ela também o abraçou e quis que fosse para sempre. O amor veio encontrá-los e decidiram nunca mais viverem separados… alimentando aquele tesouro que só eles conheciam.

A partir daquele dia as estrelas e as montanhas viveram unidas para sempre… amando-se como aquele casal de alpinistas que haviam unido seus corações… suas ilusões… suas inquietudes… um tesouro que só você sabe onde está.

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Written by Cissa

Fanatic alpinist, rock climber, and wannabe surfer. Sports and travel content writer and graphic designer in the meantime. Self sponsored, based out of a haul bag.

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